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#SeminarioFESPSP

03/10/2017

GT01 – Antropologia Urbana

Na primeira mesa, coordenada pela professora Isabela Oliveira, cinco pesquisadores apresentam seus trabalhos.

O Seminário FESPSP 2017 discutiu As Incertezas do Trabalho. Na primeira reunião do Grupo de Trabalho 01, na terça-feira, 3 de outubro, os pesquisadores Rosana Bacron (USP), Kelly Komatsu Agopyan (USP), Isadora Jardim Salazar (FESPSP), Flaviana Serafim Vieira (FESPSP) e Felipe de Souza Pinto (USP) submeteram seus trabalhos para discussão. A mesa foi coordenada pela professora Isabela Oliveira. A professora Sonia Hotimsky foi convidada para debater os temas desta mesa.

 

Em seu trabalho intitulado “migração, gênero e política pública na cidade de São Paulo: um estudo de caso sobre a formação do Conselho Municipal de Política para Mulheres”, Rosana Bacron, mestranda pela USP, falou da sua “pesquisa qualitativa sobre migração, gênero e política pública busca desenvolver um estudo com o objetivo de contribuir para o debate sobre participação e processos de resistência das mulheres latino-americanas migrantes no contexto político da Cidade de São Paulo, com interesse particular nas relações de poder produzida sobre as questões de gênero e migração e com o olhar voltado também para a intersecção entre gênero, classe, raça e nação.  O objeto de estudo é o processo de formação do Conselho Municipal de Políticas para Mulheres (CMPM), com evidência para a participação das mulheres integrantes da Frente das Mulheres Imigrantes e Refugiadas (FMIR), a fim de levantar insumos para analisar os processos de resistências e empoderamento destas mulheres no espaço político e contexto histórico municipal”.

 

Já a mestranda Kelly Komatsu Agopyan (USP) dissertou sobre “O contrato racial nas Cidades”, onde verificou “Dentro do contexto da Teoria Crítica Racial (CRT), Charles W. Mills introduz em seu livro “O Contrato Racial” (1997) uma perspectiva que é frequentemente ignorada pelos teóricos ocidentais brancos contratualistas que produzem o conhecimento – dominante na Academia - a partir de uma perspectiva racializada branca. Esse contrato racial nunca mencionado, seria um contrato da exploração; um contrato político, moral e epistemológico, cujo objetivo é determinar o privilégio dos brancos em relação aos não-brancos. A partir dessa abordagem, o presente artigo buscará analisar como tal contrato é traduzido na realidade urbana. A lógica de segregação urbana é fortemente marcada pela racialização do espaço (ou pela espacialização da raça), resultado este observado na formação das favelas, “no-go zones”, guetos – e até as prisões - espaços estes onde está concentrada parte significativa da população – negra – considerada “indesejada” nos espaços frequentados pela elite - branca. Essa separação ou divisão do espaço conforme critérios raciais, remonta ao que Du Bois chamou de “color line” (a linha da cor) e que é reproduzida nos centros urbanos de forma evidente, apesar dessa realidade ser, muitas vezes, invisibilizada tanto pela imprensa como pelo próprio poder público. Quando não invisibilizada, a questão é completamente distorcida, fato possível de ser verificado pela própria criação dos termos ‘no-go zones/áreas’”.

 

Isadora Jardim Salazar, graduanda da FESPSP, falou sobre “Processos de gentrificação na cidade de São Paulo - Vila Buarque e Higienópolis: o contraste imobiliário do centro”, sua pesquisa que faz “uma análise sob a perspectiva da Gentrificação aplicada aos bairros Vila Buarque e Higienópolis, na região central da cidade de São Paulo. Bairros tradicionais, ambos apresentam inúmeros contrastes urbanos, envolvendo uma nítida diferenciação entre suas arquiteturas, perfis dos moradores e, principalmente, entre os valores de metro quadrado de seus imóveis. A proposta foi a de realizar uma investigação sobre os efeitos sociais dos valores imobiliários em determinadas regiões, observando as relações díspares no espaço urbano. Dentre todas as realidades contrastantes na cidade de São Paulo no âmbito sócio-imobiliário destacou-se a dos dois bairros, de forma que o processo de Gentrificação foi evidenciado, observado e analisado - por meio das mudanças arquitetônicas, imobiliárias e dos perfis étnicos, além de relações de desigualdade - não só como um processo recente do século XXI, mas como recorrente do final do XIX e ao longo do XX quando foram avaliados os processos de formação históricos dos referidos bairros”.

 

“Alimentação, identidade e organização da comunidade boliviana em São Paulo: um estudo na Rua Coimbra” foi o tema de pesquisa apresentado pelo doutorando Nicolino Foschini Neto, da FESPSP, em que escreve: “As relações entre alimentação, identidade e organização socioeconômica da comunidade boliviana na Rua Coimbra, no bairro do Pari, centro da capital, é objeto da pesquisa etnográfica que terá seus resultados apresentados no artigo durante o Seminário Fespsp 2017. Não só essencial à sobrevivência nem restrito a um processo fisiológico, o ato de comer tem caráter social, cultural e simbólico que se expressa de formas distintas entre os diferentes povos. O levantamento, realizado no Pibic 2016-2017, teve o intuito de estudar de que formas a culinária, o caráter simbólico da alimentação e a identidade se expressam, seja na comida do cotidiano ou nas opções gastronômicas dos restaurantes bolivianos, das barracas de comida de rua, de alimentos e bebidas da feira típica que ocorre aos sábados desde 2003, reunindo cerca de seis mil pessoas circulando pelos 500 metros da Rua Coimbra”.

 

O mestrando Felipe de Souza Pinto (USP) dissertou sobre “#SóVem: fazendo a festa no Capão Redondo”, onde verificou “a sociabilidade juvenil e sua relação com o espaço da cidade e as possibilidades de produzir espaços para a diversão. Nesse sentido, o objeto privilegiado é o baile funk organizado por estudantes de Ensino Médio de uma escola pública   no centro do distrito Capão Redondo – na zona sul da cidade de São Paulo. O baile é interessante pois, é uma criação própria dos estudantes em diálogo com os imaginários, partilhados por seus grupos, em relação com o estilo musical funk e as condições socioeconômicas no qual vivem. Para vivenciar um momento longe do olhar vigilante dos pais e responsáveis, os estudantes organizam-se em equipes e produzem bailes alugando bufês nas imediações do distrito, atraindo um grande contingente de participantes através da propaganda virtual. O evento aponta para dois aspectos que busco compreender no trabalho: como os estudantes articulam os elementos apontados para criar um espaço ideal para a diversão; e, qual é o mundo do baile, como os jovens vivenciam esse momento que é, tanto exercício de sociabilidade como uma festa. Ou seja, busca-se entender realidades cotidianas e imaginários vivenciados, no qual o baile é mediador possível. O funk está presente no cotidiano juvenil, na escola e na vizinha, flerta com os gostos, desejos e vontades de determinados sujeito. Se o baile medeia realidade e imaginário, o funk é o conteúdo presente em ambos os aspectos, através dele os jovens se expressão e abrem caminho para a vivencia da festa”.

 

Colaboração na cobertura fotográfica: Gabriela Dayeh
 

Seminário FESPSP 2017

 

Tradicional no calendário de eventos de pesquisas acadêmicas, o Seminário FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo) na edição 2017 discutirá as Incertezas do Trabalho, em um momento singular na política nacional e no cenário global, em meio a discussões de Reformas Trabalhistas e Previdenciárias em vários países e à aproximação de uma 4ª Revolução Industrial, que já está mudando a forma como lidamos com o trabalho, de formas positivas e negativas. As Conferências, os minicursos, os grupos de trabalho e as reuniões da Cicla das 5 acontecerão entre os dias 2 e 5 de outubro, no campus FESPSP (Rua General Jardim, 522 – Vila Buarque – São Paulo/SP). Saiba mais sobre a programação e as inscrições aqui.

 

 




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