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#SeminarioFESPSP

05/10/2017

Assédios no trabalho: opressão e demonização

Terceira reunião da Cicla das 5 debate a maneira como as relações de poder convergem para assédio no ambiente de trabalho.

O assédio no ambiente de trabalho às populações vulneráveis foi o tema discutido durante o terceiro encontro da Cicla das 5, realizado não dia 4 de outubro, no Seminário FESPSP 2017. A mesa, composta por Alê Almeida, Carué Contreiras, Sladka Null e Tuca Munhoz, com mediação de Luana Torres, da Revolta da Lâmpada. A mesa dialogou a cerca das hierarquias visíveis e invisíveis nos espaços de trabalho, e como elas se convertem em pequenos e grandes assédios, investigando como as relações de poder se convertem em ações no ambiente de trabalho.

A luta por acesso aos direitos é um objetivo comum de muitos grupos e é isso deve uni-los, define Tuca Munhoz. “No caso das pessoas com deficiência, o preconceito se manifesta de uma maneira diferente. Uma violência quase investida, pois não é o preconceito que expulsa, mas o que acolhe na subalternidade, que anula, que mata socialmente ao não permitir que usufruamos do bem, da vida, em sociedade com as outras pessoas”, declara, contando que excessos de pedidos de desculpas e de “bondades” são exemplos deste acolhimento errado. Ele aponta que o deficiente também foge do padrão normativo da sociedade.

“Acessibilidade é uma coisa de acesso a direitos, não à locais ou edificações. Queremos nos aproximar com outros grupos que também estão lutando por acesso à direitos. Só agora a questão das pessoas com deficiência tem adentrado esse campo de discussões, porque os grupos ainda não haviam procurado uns aos outros”, afirma.

A centralidade da temática do trabalho foi destacada pela cientista política Alê Almeida, por vivermos em uma sociedade em que consumo e bens importam e o trabalho é o que provém isso. “O assédio existe em todas as áreas do trabalho, já que o trabalho em si é um assédio. A prática não é uma coisa em si, há uma série de elementos históricos que viabilizam ele: não valorização do trabalho, a ideia de que o trabalhador não precisa ser remunerado, violência, dominante x dominado. Se a sociedade é machista, racista, estratificada em classes sociais, religião, padrão estético... Todos esses elementos estão misturados”, declara, acrescentando que a soma da crise econômica nesses fatores e a terceirização como proposta da Reforma Trabalhista são uma espécie de regulamentação para o assédio.

“Não da para fazer uma análise sem levar em consideração raça, gênero, classe, religião, HIV. As pessoas que sofrem mais assédio são as que somam mais dessas características”, explica.

A relação do Estado com o HIV/Aids foi o tema da fala do médico pediatra Carué Contreiras. “O Estado está relacionado com a questão LGBTQ+ em dois pontos: a Aids e a Diversidade. A primeira política pública foi a de Aids, no mundo inteiro ela existe, com dois segmentos possíveis: o viés de direitos humanos e o de controle”, conta. Contreiras explica que o de controle vê a população com HIV como uma ameaça que precisa ser contida, ignorando as vulnerabilidades sociais que a levaram a desenvolver a doença. “As pessoas se silenciam por medo de rejeição, perseguição e, uma das mais importantes, medo de ser impossibilitado de continuar trabalhando”, explica.

Segundo Contreiras, o medo de perder o trabalho é um dos aspectos que mais prendem as pessoas aos seus armários, sendo que, em geral, não há lógica em afastar um funcionário por ele ser portador de HIV.

Em seu depoimento, a cineasta e diretora de fotografia, Sladka Null conta que viu as atitudes das pessoas em relação a ela mudarem quando reivindicou sua identidade. Após dois anos no mesmo trabalho freelancer, ela parou de ser convidada, o que atribui a sua escolha. “Isso é ruim pois eu não entendo se foi pela transição ou se foi pelo meu trabalho. Quando o trabalho não está de acordo com o esperado, meus colegas começaram a me chamar no masculino e utilizar o meu nome como chacota. A escolha desse corpo traz muito menos valor no mercado de trabalho”, declara.

Ela conta ainda que no seu atual trabalho, a pessoa que a contratou sabe da vulnerabilidade social na qual ela está inserida e usa isso como ameaça: “Eu te dou trabalho. Se não for comigo, com quem você vai trabalhar?”, e usa deste método para tentar fazê-la trabalhar mais. “Não só no mercado de trabalho, passo por uma série de situações que não aconteciam antes. Assédio moral, psicológico, físico”, conta, analisando que faz essa reivindicação em um momento em que começou a se libertar dos pais financeiramente. "Se eu tivesse feito isso antes, eu não sei se estaria aqui. É ruim perceber que o corpo que te representa, essa identidade, tem menos valor e é tratado de uma maneira muito escrota”, define.

 

CICLA das 5

TRABALHO E CORPOS VULNERÁVEIS: A FIRMA IMITA A SOCIEDADE

O Ciclo das 5 de 2017 pretende pensar como o mercado de trabalho reflete as estruturas de opressão e hierarquização de corpos impostas na sociedade.

Todas as mesas serão interseccionais, com recortes de raça, classe, gênero, sexualidade, idade e status de HIV. Mesa a mesa, a Cicla discutirá a relação de cada um desses recortes com quatro macro-temas contemporâneos sobre o universo trabalhista brasileiro: ACESSO, DIREITOS, ASSÉDIO e DIVERSIDADE CORPORATIVA.

Conheça a programação completa da Cicla das 5




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