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Dia Internacional da Mulher

08/03/2015

08 de março, um dia de luta pela igualdade

Convidamos a Profa. Dra. Caroline Cotta de Mello Freitas, docente da FESPSP para escrever um artigo sobre o Dia Internacional da Mulher, data que celebra os avanços pela igualdade de gênero no nível político, econômico e social. Boa leitura!

Por Caroline Cotta de Mello Freitas

No dia 08 de março se comemora o Dia Internacional da Mulher, uma data em que se celebram os avanços alcançados na luta pela igualdade de gênero no nível político, econômico e social. É também um dia em que os movimentos feminista e de mulheres lembram as conquistas e os pontos ainda pendentes na luta pela igualdade, como erradicar a violência contra as mulheres, conquistar igualdade salarial, incrementar a presença das mulheres no âmbito político e em cargos como no legislativo, garantir o direito ao próprio corpo. A agenda é extensa e a luta é árdua. No Dia 08 de março, além de felicitações, o que as mulheres desejam é respeito e igualdade.

Em relação à violência contra a mulher, conforme dados levantados do Mapa da Violência 2013(1) , até os 14 anos de idade, a maior percentagem de atendimentos realizados pelo SUS, em relação à violência física, tem como principais agressores os pais das vítimas. No mesmo contexto, dos 15 aos 59 anos, os agressores preponderantes são parceiros e ex-parceiros; e, acima dos 60 anos, a violência é causada prioritariamente pelos filhos. O Brasil ocupa, atualmente, o sétimo lugar no ranking mundial dos países com mais crimes praticados contra as mulheres. Ocorrem em torno de 4,5 homicídios para cada 100 mil mulheres, a cada ano. Nos últimos 30 anos, foram assassinadas cerca de 92 mil mulheres, tendo sido 43,7 mil apenas na última década, o que denota aumento considerável deste tipo de violência a partir dos anos 90. O levantamento aponta um crescimento de 4,6% ao ano de 1980 a 1996. A partir de 1996, as taxas caem porque a população feminina aumenta, ou seja, os números absolutos continuam em crescimento, mas proporcionalmente diminuem. Ressalta-se que em 2007 há uma queda significativa (7,6%), ano subsequente à entrada em vigor da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), mas tal queda não se mantém e os números continuam a crescer. E novamente, apesar de ser proporcionalmente muito menor que os homicídios de homens, a taxa de homicídios de mulheres aumentou 17,2% de 2001 a 2011, enquanto a taxa masculina foi de 8,1% considerando o mesmo período. Obviamente, tais homicídios (ou feminicídios, melhor dizendo) são a última consequência de um histórico de violação de direitos da mulher.

Este texto apresenta dados sobre a violência contra a mulher, mas é importante lembrar que poderia mencionar informações sobre questões que envolvem o mundo do trabalho e as desigualdades salariais, ou aspectos relativos à saúde reprodutiva e informações sobre os abortos realizados no país, violência obstétrica, ou discriminação por orientação sexual, ou as limitações quanto à autonomia e liberdade para a construção das múltiplas identidades de gênero, ou as desigualdades específicas vividas pelas mulheres negras em todos os âmbitos da vida, entre outros temas. Muito avançamos em termos de direitos e de promoção da igualdade de gênero, mas ainda falta muito a fazer. O Dia Internacional da Mulher é um dia em que devemos lembrar que a diferença é um fato, a igualdade é um valor e a desigualdade de gênero é uma violação de direitos, isto é, devemos todas e todos ter nosso direito a ser quem somos igualmente garantido. O dia 08 de março é um dia de luta!
 

(1)Waiselfisz, Julio Jacobo. Mapa da Violência 2013, Homicídios e Juventude no Brasil, Rio de Janeiro, 2013.

Sobre Caroline Cotta de Mello Freitas

Graduada em Ciências Sociais, mestre em Antropologia Social e doutora em Antropologia Social. Atualmente é professora Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Nação, Nacionalismo, Memória, Identidade, Diversidade Cultural, atuando principalmente nos seguintes temas: nação, nacionalismo, identidade, etnicidade, América Latina, Bolívia, memória, imigração, relações raciais, relações inter-étnicas e transformações sócio-culturais.




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